Movimento de menos e de mais

Enquanto o Bahrein ameaçou, mas não explodiu em revoltas no GrandPrix de Fórmula 1 do fim de semana passado, a violência na Síria põe em cheque o acordo de cessar-fogo imposto há pouco mais de duas semanas. E a Líbia levanta uma lei sobre religião e política que ainda trará consequências.

O barulho de carros de corrida cruzando a pista deu lugar a lançamentos de bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo no Bahrein. Cancelado ano passado por causa dos protestos, o GrandPrix de Formula 1 desse ano era a esperança da família real de transmitir uma imagem de normalidade. Cartazes escritos “UniF1ed: One Nation in Celebration” só não mostravam a bagatela de US$40 milhões pagos ao órgão esportivo pelo direito da corrida (confira imagens aqui).

Desde sexta-feira (18), protestos ocorreram na capital Manama. Ativistas entrevistados pelo The Guardian explicaram que não era um ataque ao esporte, mas ao uso da corrida pela família Al-Khalifa como propaganda (enganosa) de um país calmo e feliz. Desde fevereiro passado, quase 50 pessoas foram mortas e ataques preemptivos são realizados contra as casas dos protestantes. A maioria xiita do país luta para quebrar o monopólio de poder da monarquia e minoria sunita. A Economist traz uma análise que, além de mostrar que nada de mais aconteceu no dia da corrida, revela as dificuldades econômicas pelas quais o país passa sendo centro de conflitos.

Menina participa de protesto contra o ditador sírio, Bashar al Assad em Kafranbel, Síria. Em suas mãos: "Executem o Presidente"

Menina participa de protesto contra o ditador sírio, Bashar al Assad em Kafranbel, Síria. Em suas mãos: "Executem o Presidente"

Fracasso sírio
O acordo de cessar fogo em vigor desde o dia 12 gerou frutos violentos na Síria. De explosões com origem duvidosa de prédios (Al Jazeera), a morte de dezenas de civis em Hamas e massacre na cidade de Taftanaz (BBC), a violência no país não parou.

A resposta internacional foi enfática. O Estado de São Paulo traz que a União Europeia impôs novas sanções ao país. A exportação de artigos de luxo e de certos produtos que poderiam ser usados na repressão aos opositores do regime sírio será restringida. O alvo parece ser a comunidade empresarial, leal partidária do presidente e importante sustentação dor regime. Analistas dizem que a situação pode mudar caso o influente bloco perca privilégios econômicos.

Os EUA advertiram a Assad que a missão de observadores (entre eles, um brasileiro) da ONU é “uma prova de fogo” para o regime, o qual poderá sofrer mais pressões do Conselho de Segurança caso não se submeta às pressões internacionais. No sábado (21), o Conselho aprovou o envio de mais 300 observadores ao país para checar se os tanques foram retirados das cidades, presos de forma arbitrária foram libertados, diálogo entre governo e oposição foi iniciado, entre outros pontos.

Enquanto a França diz que o Conselho deve considerar o uso de força caso o plano de paz da ONU falhe, Rússia afirma que o uso da força militar é “contraproducente”. Duas frases do porta-voz do governo russo, Alexander Lukashevich, são explícitas: “Nós pedimos que o regime sírio assuma suas obrigações [na quebra da trégua]. No entanto, temos um outro lado na Síria, grupos de oposição que usaram táticas de terror em escala regional” e “Alguns governos ocidentais, e não só ocidentais, estão ajudando a oposição síria com armas e financiamento, fazendo com que a solução política dessa situação seja mais difícil”.

Segundo a Folha, a ONU registra  pelo menos 10 mil mortes nos 13 meses do conflito entre opositores e forças do regime. Outros 60 mil se refugiaram em países vizinhos, como Líbano, Turquia e Jordânia, onde 68 sírios chegaram feridos nos últimos dois dias, segundo ativistas. Números esses são mostrados em imagens publicadas pela Al Jazeera: a destruição nas cidades de Homs e Idlib são mais que visíveis.

Observador das Nações Unidas, acompanhado por militar sírio, ouve civis durante visita à província de Homs (AP)

Observador das Nações Unidas, acompanhado por militar sírio, ouve civis durante visita à província de Homs (AP)

Entra em questão a validade das ações da ONU. A Economist argumenta que as forças externas têm até certa razão em não intervir na Síria, por ser muito mais capacitada militar e geopoliticamente do que a Líbia, o que poderia levar a uma guerra em grandes proporções. No entanto, quanto mais tempo os sírios forem deixados por eles mesmos, a opressão do governo escalará. Pelo fato de as alternativas militares serem tão desanimadoras, o acordo de cessar-fogo deve ser levado adiante, mesmo que esteja demorando a ter um efeito satisfatório, inclusive porque os países aliados de Assad (China, Rússia e  Irã) concordaram com ele.

Se Assad não mudar realmente sua atitude perante os confrontos, uma saída segura e ações mais drásticas devem ser tomadas. A não ser que ele diminua rapidamente os ataques contra os rebeldes, ele verá um apoio logístico e diplomático de países como Jordânia e Turquia para o estabelecimento de zonas de segurança para refugiados.

Já a BBC é mais pessimista. Segundo o artigo cujo título questiona o sucesso da missão da ONU, mandar os observadores é claramente a última jogada de dado para uma solução política na crise síria. Deles se espera a criação de uma paz que estão encarregados de monitorar, apenas. Poucos projetos da organização são mais razoáveis ou ganharam mais apoio internacional que o de Annan, então se mesmo esse não funcionar, nada irá.

Notícias do Egito trazem principalmente o término (no El País) do contrato entre a companhia estatal de gás e Israel e o reaparecimento do ex-Primeiro Ministro de Mubarak como candidato às eleições de maio.

Destaque para o primeiro ministro da Jordânia, Awn Khasawneh, que resignou do cargo após seis meses da formação de um governo que ele prometeu trazer reformas para o país.

Religião e política na Líbia
A Líbia surpreendeu ao passar uma lei que proíbe a formação de partidos políticos baseados em princípios religiosos para as eleições de junho. O Conselho Nacional de Transição afirmou que se tratava de uma ação para preservar a unidade nacional, mas não deixa claro como isso afetaria o partido formado em março pela Irmandade Muçulmana Líbia e outros islamistas.

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